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23 de mar de 2015

Almost seven...



Cabalístico, saindo da primeira infância. Ainda sem saber caminhar direito, mas com tantas convicções e tanto romantismo...

Este ano faço sete anos de Parkour e, estranhamente, me dei conta disso há muito pouco tempo. Tinha me acostumado a dizer que tinha dois ou três anos de prática e, recentemente, ao me perguntarem quando eu comecei, fiz o cálculo e em seguida veio o espanto e o choque. Estou fazendo sete anos de Parkour. Acredito de verdade que sete é um número que quer dizer algo, é a passagem da primeira para segunda infância, é uma transição.

As vezes olho pra essa caminhada e penso: É muita estrada para pouco resultado... Me defronto com meus medos, com minhas cobranças, com a necessidade desses (quase) sete anos terem sido aproveitados ao máximo, e não tenho uma resposta clara. Não consigo dizer para mim mesma: Você fez o seu melhor! E todos os porquês me vem à mente de uma só vez. Todas as perguntas de coisas que eu gostaria de ter concretizado e não concretizei única e exclusivamente por minha causa.

Percebo o quanto essa cobrança fez com que eu me isolasse, com que eu olhasse para mim e pensasse, mas por que eu não consigo?

Precisão ridiculamente perto, mas que eu demorei muito tempo pra pegar. \o/

Os nossos fantasmas às vezes estão muito próximos, mas falam tão baixo que aquilo parece intrinsecamente seu, algo sem o qual você não saberia viver, porque, por mais difícil que seja admitir isso, você se acostumou com ele. O fantasma é o que você tem de verdade. Sempre me escudei neles de alguma forma, nunca publiquei vídeos meus de treino (sequer os gravei), há muito tempo “optei” por treinar sozinha, hoje eu olho os meus últimos anos (principalmente os que estive em Salvador) e percebo que me fechei na minha gaiolinha, por tantos motivos diferentes, mas o principal deles, com certeza, foi por medo. Um medo que até esse momento eu sequer admitia para mim mesma, o medo de me expor, o medo de não corresponder, tantos medos que, somados, me tornaram isso. Não sei ao certo como definir, mas sei que não quero mais.

Entrei no Parkour por vários motivos, mas, sem sombra de dúvidas, as pessoas que nele eu conheci foram o motivo primordial para eu ter prevalecido na prática. Hoje olho os meus últimos anos e penso: Como eu deixei que o mesmo motivo que me fez ficar, me afastasse tanto? As pessoas fazem com a gente aquilo que a gente permite, então, em algum nível, eu sei que eu permiti isso tudo.
Não sei exatamente como será daqui para frente, mas não vou mais permitir que meus fantasmas — os internos e os externos — me impeçam de ser...

É só isso que a gente quer no fim das contas: SER!!! Ser livre, ser feliz, ser amado, ser querido... Como diria Caio Fernando Abreu:

 “Veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz.”

Nós buscamos isso todo o tempo, é uma busca tão desesperada por felicidade que qualquer menção à tristeza é algo repudiável. Entendam, eu não estou fazendo uma apologia à depressão, mas nem todos os dias serão bons, nem todos os obstáculos são superáveis. Quando a gente entra num desafio é porque quer conseguir, mas a gente não sabe se vai. Só que eu entendo isso hoje... Quando eu olho para traz e vejo como eu me encarei nesse processo, me dá até um aperto. É muito fácil falar que cada um tem seu tempo, mas, na prática, se você não está no “mesmo tempo” você não é tão cogitável assim. E podem começar o mimimi, aqui é o meu muro, a minha história. Cada um tem a sua. Que bom!

Não vou dizer que o medo passou, não é assim que funciona. O que eu quero de verdade é não deixar ele me paralisar. Quando a gente olha pro abismo ele olha para gente de volta. Pois que seja e que a vida continue.

Se eu não passar esse muro isso é entre o muro e eu.

O que eu quero agora? Eu quero aproveitar sem medo esses meses que faltam para completar os meus sete aninhos, quero me desafiar, dar o meu máximo e se eu não conseguir, eu vou poder tentar de novo, amanhã ou daqui a uma década, não importa.

Eu não vou acabar com a parte ruim que existe no Parkour (sim existe uma parte ruim no Parkour), mas eu não vou compactuar com ela. Não vou aceitar que mais pessoas passem por isso caladas. Para um problema ser resolvido primeiro ele precisa ser exposto. Para mim foi um problema, para mim doeu, talvez só em mim, talvez não... 

Mas no fim disso tudo o que fica é o começo, sempre o começo. Aquela vontade e frenesi que eu tinha no meu primeiro treino, espero fazer essa chama brilhar novamente regada a muito suor e dores no corpo, mas aquele prazer infinito de fazer o que se ama.


31 de dez de 2014

"Balance" de 2014



Aí a gente pensa: Um ano passa tão rápido que quase não dá para acreditar que cabe tanta coisa em 364 dias... Mas coube.

E, entre tantas coisas, eu só tenho a agradecer por 2014. Foi um ano excepcionalmente difícil, em alguns momentos pareceu até impossível, mas, contra tudo e contra todos, ele acabou, e vai deixar saudades de uma forma que poucos anos deixarão.  

Um ano de descobertas, um ano de conquistas incríveis, de pessoas incríveis. Um ano que, antes de acabar, já deixa saudade de lugares, pessoas, cheiros... Tanta gente que sequer sabe a importância que tem.

Fazer o balanço do ano é sempre difícil para mim, mas, quando olho para esse, definitivamente, o saldo é positivo. Foi um ano de cumprir mais do que prometer. E pretendo seguir cumprindo, fazendo, sendo, me envolvendo mais com o que realmente importa.

Optei por caminhos não tão previsíveis, não tão fáceis... Houve quem me chamasse de louca e os que me acharam muito corajosa. Eu só acho que optei por um caminho mais feliz, mais leve. Não necessariamente o mais fácil...

Depois do primeiro passo a única opção é continuar andando, e assim quero fazer.

São tantos os projetos para 2015 que nem caberiam aqui, entretanto, sei que vou fazer de tudo para que eles aconteçam.

Poder voltar a treinar foi, definitivamente, uma coisa muito positiva para esse finalzinho de ano, ainda não estou nem perto do que eu gostaria, mas vou chegar lá. Por ora vou seguindo de mansinho, aos poucos, um treino de cada vez. Recomeçar é sempre doloroso, aceitar que regrediu e que não tem como continuar de onde parou é sempre difícil, mas isso passa, como passam todas as outras coisas.

Aos queridos que viveram essa aventura comigo: Muito obrigada!  

Para os desafios de 2015: Que vocês venham como novas possibilidades.

Desejo que os encontros se multipliquem, que as viagens tornem-se ainda mais frequentes e para lugares cada vez mais distantes. Que as aventuras sejam cotidianas e excitantes.
2015 vai chegar e, na dúvida: Improvise!

Evoé!!!

E não esqueça: Muita Merda para todos nós!

3 de nov de 2014

Do contra, mas com parcimônia



São tantos os donos da verdade, uma verdade tão absoluta e imutável que, verdadeiramente, me sinto fora desse lugar. Acredito num mundo múltiplo, de diversas possibilidades, onde os diferentes possam dialogar sem discurso de ódio. Sem ofensas! Com a mínima maturidade aceitável de pessoas adultas. 

A minha verdade não é absoluta, nem imutável, é apenas o meu lado da história. E assim como há o meu existem outros, que precisam e merecem ser ouvidos. 
Sobre o atual evento em questão, imagino que possa ter um potencial nocivo sim, por vários fatores, mas, simplesmente dizer que eu não concordo com ele não vai agregar em nada. Vejo muita gente reclamando e colocando pessoas numa berlinda de uma forma cruel, mesquinha e infantil. Fico me perguntando se o realizador do evento fosse uma pessoa mais querida, se a recepção seria igual...




Não posso julgar A diferente de B e, antes que eu me esqueça: Quem sou eu no "jogo do bicho" para julgar alguém? Que lugar sagrado é esse no qual eu me encontro?  Você pode e deve dar a sua opinião (democracia), mas isso não quer dizer que ela tenha que ser acatada. 
Imagino varias possibilidades nas quais o evento poderia ser menos nocivo para a prática, mas como o formato já está pronto, isso pouco contribuiria para alguma coisa. 
O que quero dizer com isso é: Por que ao invés de você simplesmente criticar o evento e o realizador você não propõe ou faz algo para promover a prática?

Não quer que a grande mídia deturpe os valores do Parkour, então faça algo para isso  que não seja só ficar sentado reclamando no Facebook. 
Bem, não estou com uma postura de que tudo é lindo e que não existem problemas. Eles existem e sim, devem ser pontuados, expostos e resolvidos.
Porém isso não implica em agressão. Quer reclamar, se opor, brigar? Faça isso, mas faça de forma coerente. Não vá fazer protesto girando nas estruturas. Seu back flip no lugar e hora errado pode ser tão nocivo quanto um evento da rede globo.